Março 2008


Essa febre de Big Brother, experiências vividas por mim nos últimos tempos, análises que tenho feito durante essa minha fase mais recatada, de mais observação, têm me levantado alguns questionamentos, entre eles, a falsificação de gente.

Por que existe tanta falsidade? Porque as pessoas não estão prontas para a verdade. A verdade é como o clima, muda, tem nuances. Um dia você está feliz de verdade, no outro está chata de verdade e, no outro, quer ficar sozinha de verdade. Tem gente que não aceita não, não aceita rejeição, não aceita nada que não seja o que ela espera. São pessoas com baixa tolerância à frustração. Magoam-se. Ofendem-se. E, imediatamente, partem para a agressão e a vingança.

É o cara que dá um soco na frentista que disse apenas que ele não poderia deixar o carro no posto de gasolina do patrão. O irmão que mata outro por causa de uma partida de futebol. É a mulher que corta o membro do marido que cometeu uma traição. Gente mesquinha, passivamente arrogante, travestida de gentil que só mostra educação quando recebe o que espera. Quando o outro diz não, ela abre a jaula do leão. E ataca.

Tudo bem, é comum ouvir: “eu sou um ser humano, tenho minhas vontades”. Mas será que é difícil entender, depois de levar um tapa da vida em situações que insistimos e não obtivemos sucesso, que nem sempre tudo é quando e como a gente quer?! Será que nunca ninguém estragou o dia de alguém por um mísero detalhe que não deu certo, apesar do restante ter dado? (Eu sei que estraguei muitos quando me apegava à detalhes e à perfeição de certas situações, às vezes, ridículas). Não digo que não temos que insistir às coisas que almejamos, mas temos que nos adaptar ao que nos chega. É que nem no filme “Todo Poderoso”, quando “Deus” faz todos ganharem na loteria ou quando “Ele” responde os e-mails com um “sim” para todo mundo.

Por isso gosto tanto de gente verdadeira. De gente que fica de mau humor num dia, que rosna, que sorri, que faz de tudo. Essas pessoas são reais. É melhor desconfiar de quem está sempre sorrindo e fazendo a boazinha. Acredito que quem é (ou tenta) ser 100% de um jeito, não é verdadeiro. Faz tipo. Na natureza só a mudança é constante.

Se a gente for pautar nossa felicidade a partir das justiças e injustiças da vida e de tudo, estaremos condenados ao calabouço dos infelizes. Toda essa midiosfera que nos envolve está cheia de exemplos, a começar pela política, e por aí vai. Porém, citá-los aqui seria um livro sem fim.

Só que a Justiça e a Lei não são o que temos em mente. Penso que há duas soluções: lutar pelos ideais coletivos nos quais acreditamos, de maneira sensata; e ampliar os horizontes e desfocar os olhos das coisas que nos causam irritação, incômodo, inveja.

Nós comemos comida estragada? Produtos vencidos? Não – a não ser que não nos preocupemos com a data de validade. Então, não podemos, não devemos consumir nada em nenhum meio que não seja bom para nós, também na comunicação.

É bem como meus professores e colegas de profissão falam: “não gostou? Mude”. Mudemos o canal, mudemos o mundo, mudemos o jeito de pensar. Não é nos destruindo ou eliminando o objeto que nos é incomodo que vamos melhorar. E afinal, é para isso que estamos aqui. Para melhorar. Não vale morrer pior do que quando nascemos.

Como dizia Guimarães Rosa, ” a gente morre pra provar que viveu”. É bem por aí.


Dois novos blogs prometem:

O blog da Michelle, uma jornalista que vai dar o que falar: Forno de Palavras .

E o blog da Aline, ou melhor, o Blog da Nini, agora, uma jornalista de casa nova.

Estou aqui na torcida, ansiosa para saber o que está por vir.

Bem vindas à blogosfera!