Janeiro 2008


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-          Vô, cê tem medo de monstro?

-          Não sei. Nunca vi um.

-          Nunca?

-          Nunca.

-          Eu tenho medo de monstro.

-          Você já viu um?

-          Não, mas tenho medo de ver.

-          E se não aparecer nenhum? Aí você gastou medo à toa.

-          E se aparecer?

-          Você acha que pode aparecer? Agora, de dia, aqui no parque?

-          Agora não.

-          Então agora você não tá com medo.

-          É, agora não.

-          Então é só às vezes que você tem medo.

-          É, não é toda hora.

-          Que hora que você tem medo?

-          De noite.

-          No escuro?

-          É, no escuro.

-          Acende a luz.

-          Aí ele vai embora?

-          Nunca ninguém viu monstro com a luz acesa.

-          Não consigo levantar, vô, para acender a luz. Fico com medo.

-          A gente vai dar um jeito.

-          Cê nunca teve medo de monstro?

-          Eu tinha. Quando eu era menino, eu tinha medo de um monstro que chamavam de Capeta.

-          Como que ele era?

-          Ah, falavam que tinha chifre, rabo, dentão, olhão vermelho, focinho de javali, era cascudo, fedia. Outra hora falavam que ele se disfarçavam igual pessoa comum, falavam que ele gostava de se disfarçar de mulher bonita.

-          Mulher? Ele era gay?

-          Era também, era tudo, podia ser qualquer coisa, tinha muitos poderes.

-          Era do mal?

-          O pior do pior do pior.

-          Que aconteceu com ele?

-          Já era. Os meninos cresceram, esqueceram dele, deixaram para lá.

-          Cê viu ele?

-          Claro que não. Eram histórias que contavam, bobagem. Depois que a gente cresce, esquece os monstros.

-          Eu sonho com eles.

-          E aí acorda.

-          Ahn-hãn. E aí eu penso que eles estão lá no escuro.

-          Preste atenção: os monstros só existem nas historinhas, nos desenhos, nos sonhos e no escuro. Daqueles que você vê nas historinhas e nos desenhos você não tem medo.

-          Não.

-          Por quê?

-          Eu tenho bonequinhos de monstros, eu brinco com eles e não tenho medo. São meus bonecos preferidos.

-          Eles querem pegar você?

-          Não. Eles têm um inimigo do bem, e o inimigo vence eles.

-          No sonho eles querem pegar é você.

-          É.

-          Aí você, com sua esperteza, acorda! Ahá! Você conseguiu fugir deles quando acordou. Aí o quarto ta escuro e você não sabe se eles estão lá escondidos para te pegar.

-          É.

-          E estão?

-          Estão?

-          Já sei: vou te dar uma lanterna! De três pilhas, de gente grande, prateada! Vai ser a sua espada!

-          Uma espada luminosa!

-          Isso! Uma espada de luz, de Cavaleiro Jedi. Você mata o seu monstro na hora. Monstro não vive na luz, ele desaparece.

-          Legal! Aí, vô, se o seu Capeta aparecer, pode me chamar.

Ps.: Eu tinha medo do Tôtomi…

(Homenagem ao Ivan).

Sabe aquela sensação de que tudo vai dar pé?! Pois é, tenho tido essa sensação desde meados de dezembro depois de trabalhar com pessoas maravilhosas e fazer uma nova amizade que mudou a minha rota de caminho.

E através dessa amizade consegui ajudar outra amiga muito querida no âmbito profissional.

Essa nova amizade me ajudou a entender muitas coisas, a valorizar outras e fez eu me sentir confiante como nunca para conseguir o meu novo job na Communica Brasil.

Só digo uma coisa: é muito bom ser ajudado e poder retribuir isso demonstrando a sua gratidão a quem ajuda e poder também ajudar, dar uma oportunidade a uma pessoa que você quer tão bem.

Novos desafios vêm por aí! Confesso que eles têm me dado um frio na barriga, mas tenho certeza que servirão como crescimento para mim. Novo ano, novos planos, novos trabalhos, tudo novo!

Sabe aquela história de pensar e desejar tudo o que quer no presente? Pois é, o presente é “o que há” no momento!

E como falei antes, estou com a sensação que tudo vai dar pé! Comecei o ano bem, com o pé esquerdo! – Calma, isso é bom, eu sou canhota!

Avante!

Para 2008, tracei alguns planos (tá bom, sei que isso é manjado. Mas é sempre bom pensar na vida de vez em quando).

Eu decidi que neste ano vou aprender polonês. E aprender bem aprendido mesmo, como se deve, e não formando sete frases de efeito para usar com os amigos. Já dei entrada na papelada e tudo no consulado (só não farei se eles não me selecionarem para a próxima turma). Chega de ser uma ignorante que sabe duas ou três línguas mais ou menos. Também vou tratar de começar a terminar o meu inglês.

Vou mais vezes ao cabeleireiro e à manicure em 2008, tanto que já comecei bem: cortei as minhas madeixas no ombro. Chega de fazer contas como “se eu gastar R$10 por semana com essa bobagem de fazer unhas, em um ano serão R$ 520 dissolvidos em acetona”. Besteira: ficar apresentável é uma meta agora.

Em 2008 eu quero fazer mais exercícios. Ioga, que seja. Pilates seria meu preferido, mas com o gasto fixo do salão de beleza, acho que não vai dar. Ó eu, já arrumando desculpas… Que seja qualquer corridinha de meia hora bate-volta até a avenida: em 2008 eu vou fazer mais exercícios. Já sei, vou seguir o conselho de “especialistas”: descer um ou dois pontos antes ou depois de cada lugar que eu for! Pronto!

Decidi que neste ano vou marcar mais happy hours com os amigos. Essa história de ver as pessoas a cada 4, 5 meses já está se tornando ridícula – e me deixando com fama de tratante.

Ah! Este ano eu quero mais estabilidade. E quero estabilizar minha profissão, não só fazer mais dinheiro, mas me orgulhar mais do que estou fazendo.

Vou viajar mais, custe o que custar!

E vou aplicar uma verba na minha poupança, porque tenho uns planos pra fazer minha vida. É bom ter uma graninha guardada, nunca se sabe. E outra, é garantia de alguma coisa mais pra frente também.

Neste 2008 também vou desenvolver ou descolar mais umas duas ou três receitas genuinamente criativas e gostosas. O que eu sei cozinhar já está ultrapassado.

Este ano eu quero melhorar muito mais meu desempenho na universidade, muito mais que no ano passado. Me dedicar ao máximo e me estressar menos por causa de grupo, trabalho acadêmico, brigas por quem faz, fez ou deixou de fazer.

Este ano eu tenho muitas resoluções. Espero que vocês também as tenham. E que 2008 nos traga todas elas.