Novembro 2007


 

nuvem_preta1.gif
Mais um dia de novembro.
Você abre os olhos e começa mais um novo dia de novembro, com pseudo-novas-coisas.
Tudo parece mais silencioso em novembro, tudo parece mais lento.
Será que tem uma pseudo-nuvem negra no céu?
Ando pelas calçadas e vejo e sinto as pessoas. Elas parecem mais tristes ou mais estranhas.
Por que? Um final de novembro ruim para o mundo? (Pra mim, pelo menos).
O silêncio dos prédios me impressiona.
Há um vazio não dito…
Sinto o volume de pessoas circulando e um vento que sopra um grito fino de anúncio.
Que anuncia o silêncio. Silêncio absoluto, tão abrangente que quase posso ouvir os pensamentos das pessoas que circulam.
E mesmo quando minha jornada, aventura, o que seja, chega perto do fim,
ainda sinto as pessoas e suas melancolias, pois esse mês, tem sido um mês ruim.
Um mês ruim, silencioso e concentrado.
Fim de novembro. Fim da picada. Para aqueles que não acreditam em bruxas, saibam que em novembro, depois do halloween, elas ficam soltas, sabe-se lá o motivo. Só sei que depois de tantos momentos e sensações ruins, nesse mês, prefiro botar as barbas de molho, embora não as tenha, de modo que é em sentido figurado, e me recolher, para não ser atingida por uma pedrada, ou uma palavra perdida.
No mais, torço para que dezembro chegue com seus fluídos benfazejos para que todos se sintam melhor…e que acabe novembro.

Hoje acordei com uma ligação da minha professora e amiga Magda.

Más notícias.

A perda de um amigo querido na faculdade. Ontem à noite. Noite de chuva. Acidente de moto.

A tristeza pairou no ar.

Luto.

Conseqüentemente, é inevitável não pensar a respeito. Conversando com amigos, lembramos de fatos passados e nos últimos acontecimentos ou situações vividas juntamente com a pessoa que perdemos. Que isso ou aquilo podia ter sido um sinal mas que, infelizmente, só o identificamos depois do acontecido.

Dissertar sobre a morte é uma tarefa difícil, tendo em vista, a análise de uma realidade irreversível inerente ao mundo dos vivos. A morte sempre chega de surpresa. Não foi diferente com o nosso amigo.

O que é a morte? É o fim de uma vida ou o começo de outra? A morte é o final de tudo, é o fim do mundo? Ou é apenas um recomeço? Quando nascemos é porque antes morremos? Ou só nascemos porque ainda vamos morrer? Por que tem pessoas que estão tão ocupadas, tão apressadas? O fim é o mesmo para todos. A única certeza dessa vida: a morte. Tão esperada pelos suicidas, tão cantada pelos poetas, tão amaldiçoada pelas viúvas e pelos órfãos.

A morte não é o fim, senão tudo que fizemos na vida teria sido em vão. A morte não é o começo, visto que temos que viver antes de morrer, nem que seja por nove meses, ou menos…

Difícil falar sobre isso.

Vinicius…

Grande coisa. Pessoas felizes de roupas e calçados informais, espalhando a alegria de viver de folga sem ligar para crise aérea, as chuvas destruindo algumas regiões ou para o próprio dia de Finados.

Será que alguém lembrou o significado desse feriado? No mínimo, foi minoria que apareceu em Interlagos para o grande evento religioso do Padre Marcelo Rossi. A maioria foi ver os famosos ou só passou por lá para concorrer a uma viagem para Roma junto com o Padre. O restante dessas pessoas do feriado ficam por aí, inúteis, passeando por todos os lugares onde se olha.

Elas entopem todos os bons lugares. Na fila do cinema, se apresentam em comitivas – porque o tia levou os filhos, convidou o cunhado, que levou os sobrinhos, que convidaram os colegas da rua que convidaram os primos…

Essas pessoas também devastam os restaurantes: pedem entrada, refeições de trinta pratos, sobremesa, cafezinho, mais uma água, outro cafezinho, um sorvetinho, um guardanapo finalmente a conta. Não vêem que tem mais pessoas esperando a mesa? Pensam o quê, que estamos todos aqui de férias? Ou curtindo um dia inteiro de coisa alguma a fazer?

São uns alienados. Partem para a praia com seus micro-mini carros abarrotados de tranqueiras. É colchonete saindo pelo porta-malas, mala e travesseiro grudados no vidro, sete crianças mostrando a bunda na janela. São todos provocação. Estão em todos, todos os locais da cidade.

É uma matemática subvertida. Lotam a areia, lotam a cidadezinha da montanha e lotam o trânsito urbano? Céus! Multiplicação de humanos loucos por dois dias a mais de folga!

Essas pessoas amam muvuca. Podiam sair de casa em horários alternados pelo menos. Essa gente do feriado não se enxerga. E é por isso que eu aqui, sem nenhum lugar para ir, ainda vou morrer de tanta inveja deles…