Estou cansada. Mas isso de forma alguma é uma coisa ruim. Tem se refletido no pouco tempo que tenho passado pra atualizar o Malagueta. E olha que não é por falta de vontade.

Faculdade, Stock Car, Communica… essa tem sido minha rotina ultimamente, a minha correria.

O problema é que os dias viraram uma grande brincadeira de “pique-esconde”. Assim, a hora de sair de casa até sei… é aquela na qual eu preciso levantar da cama mesmo não querendo, apertar umas 2 ou 3 vezes o botão de soneca do celular, e comer uma tigela de leite com cereais de chocolate quando dá tempo ou deixar isso pra resolver outra hora, porque há coisas muito mais urgentes a serem resolvidas.

E às vezes eu fico feliz com um monte de bobagem e, em outras, saio desanimada, com pensamentos negativo acompanhados de pedidos de desculpas (uma parte é o Metrô de todos os dias às 7h30 da matina) . E vou reclamar do quê? No final, acaba sendo divertido ver o tempo passar. Acordar às segundas pensando “ainda é segunda”, e às sextas “mas já é sexta-feira?”.

Às noites têm sido da faculdade. É estressante não poder fazer outra atividade porque ela toma muito do meu tempo, mas ao mesmo tempo, amo estar lá. Os sábados, têm sido do inglês e dos trabalhos da faculdade, isso quando os deixo de lado para cobrir a Stock Car.

Comecei a valorizar um monte de pequenos prazeres, como almoçar em casa, poder ver um final de tarde qualquer, assistir televisão (o ócio faz bem para minha criatividade), passar horas na Internet (apesar de não ter muita paciência…tenho preferido ler mais livros do que ficar no meu pc), e outras e outras e muitas outras.

E fiquei até mais disciplinada. Todas as noites antes de dormir, todos os dias ao acordar, agradecer e me animar para atingir meus objetivos (nesse meio tempo, tive muitos estímulos para ir em frente). Sem contar do meu esforço para deixar a preguiça de lado e me arrumar mais: cabelo bem penteado, uma maquiagem leve. E um salto alto de vez em quando.

Já acabou o dia e acho que já tive aventuras demais…

Acabei de ler o livro Metamorfose, do Franz Kafka. O autor retrata os nossos medos, e, acima de tudo, o receio do seu personagem Gregor Samsa não ser aceito como igual. Ele mostra, com efeito, o desespero do homem perante o absurdo do mundo.

Genial.

Para entender: Gregor Samsa, a personagem principal do livro sofre uma transformação que o torna um inseto gigante, um ser grotesco, forma essa, bem ousada de nos levar à uma análise dos nossos próprios atos. Com essa metamorfose, emergem o medo da sociedade em aceitar as diferenças, uma vez que a própria família de Gregor, vendo a sua brusca e inesperada tranformação, o marginaliza, com exceção da irmã, que apesar do repúdio, o tenta alimentar e perceber. Gregor, condenado pelo mundo que não o compreende, acaba confinado a um pequeno quarto até à sua morte. O personagem, que antes de sua mutação era um caixeiro-viajante com projetos pessoais e outros para a família, tornou-se incapacitado e alterado fisicamente, tendo suas planificações irrealizáveis.

O livro descreve os passos e pensamentos de Gregor já como inseto e o fato dele se interrogar e não entender uma realidade social tão hostil. No processo de metamorfose, ele deixa de ser compreensível – deixa de emitir a sua voz humana, passando a emitir um sibilar de inseto, além de seus movimentos não passarem de um silvar, mas, no entanto, para Gregor o mundo continua a ser claro, perceptível em gestos e linguagem. Ele próprio apenas percebe de que já não o compreendem pelas reações externas, e na sua cabeça, a voz continua igual.

A Metamorfose, lança um olhar feroz sobre a marginalização – não no sentido que lhe atribuímos hoje, mas no sentido de alienação do indivíduo. Com base nisso, será que nós também somos iguais ao Gregor Samsa?

Ele, ao perceber que se transformou em um inseto, tudo o que pensa é em não decepcionar a família e começa a aceitar a idéia de ser um inseto, da mesma forma como aceitamos a maioria das coisas.

Eu não sei vocês, mas acho temos sofrido com essa metamorfose, e constantemente. Sinto um Gregor Samsa dentro de mim, porque sou um inseto perante a destruição das matas brasileiras, conforme saiu hoje no Estadão; sou um inseto perante ao nosso governo, perante ao molusco-presidente brasileiro que acho que nem sabe a diferença do joio e do trigo; sou inerte perante os colunismos sociais, que dizem que sociedade é quem tem o “rabo” cheio de dinheiro e a cabeça cheia de futilidades. Eu condeno muitas coisas que acontecem, tento fazer a minha parte, mas, às vezes, é pouco. Somos poucos contra muitos? Ou muitos (com pouco) contra poucos (com muito)?

E ainda, no final da História, Gregor Samsa padece após tantas injustiças e a certeza de que tentou, mas não conseguiu. Será esse o nosso fim? Se for, é muito triste… Essa obra do Kafka, é, sobretudo, uma história de alerta à sociedade e aos comportamentos humanos.

Essa febre de Big Brother, experiências vividas por mim nos últimos tempos, análises que tenho feito durante essa minha fase mais recatada, de mais observação, têm me levantado alguns questionamentos, entre eles, a falsificação de gente.

Por que existe tanta falsidade? Porque as pessoas não estão prontas para a verdade. A verdade é como o clima, muda, tem nuances. Um dia você está feliz de verdade, no outro está chata de verdade e, no outro, quer ficar sozinha de verdade. Tem gente que não aceita não, não aceita rejeição, não aceita nada que não seja o que ela espera. São pessoas com baixa tolerância à frustração. Magoam-se. Ofendem-se. E, imediatamente, partem para a agressão e a vingança.

É o cara que dá um soco na frentista que disse apenas que ele não poderia deixar o carro no posto de gasolina do patrão. O irmão que mata outro por causa de uma partida de futebol. É a mulher que corta o membro do marido que cometeu uma traição. Gente mesquinha, passivamente arrogante, travestida de gentil que só mostra educação quando recebe o que espera. Quando o outro diz não, ela abre a jaula do leão. E ataca.

Tudo bem, é comum ouvir: “eu sou um ser humano, tenho minhas vontades”. Mas será que é difícil entender, depois de levar um tapa da vida em situações que insistimos e não obtivemos sucesso, que nem sempre tudo é quando e como a gente quer?! Será que nunca ninguém estragou o dia de alguém por um mísero detalhe que não deu certo, apesar do restante ter dado? (Eu sei que estraguei muitos quando me apegava à detalhes e à perfeição de certas situações, às vezes, ridículas). Não digo que não temos que insistir às coisas que almejamos, mas temos que nos adaptar ao que nos chega. É que nem no filme “Todo Poderoso”, quando “Deus” faz todos ganharem na loteria ou quando “Ele” responde os e-mails com um “sim” para todo mundo.

Por isso gosto tanto de gente verdadeira. De gente que fica de mau humor num dia, que rosna, que sorri, que faz de tudo. Essas pessoas são reais. É melhor desconfiar de quem está sempre sorrindo e fazendo a boazinha. Acredito que quem é (ou tenta) ser 100% de um jeito, não é verdadeiro. Faz tipo. Na natureza só a mudança é constante.

Se a gente for pautar nossa felicidade a partir das justiças e injustiças da vida e de tudo, estaremos condenados ao calabouço dos infelizes. Toda essa midiosfera que nos envolve está cheia de exemplos, a começar pela política, e por aí vai. Porém, citá-los aqui seria um livro sem fim.

Só que a Justiça e a Lei não são o que temos em mente. Penso que há duas soluções: lutar pelos ideais coletivos nos quais acreditamos, de maneira sensata; e ampliar os horizontes e desfocar os olhos das coisas que nos causam irritação, incômodo, inveja.

Nós comemos comida estragada? Produtos vencidos? Não – a não ser que não nos preocupemos com a data de validade. Então, não podemos, não devemos consumir nada em nenhum meio que não seja bom para nós, também na comunicação.

É bem como meus professores e colegas de profissão falam: “não gostou? Mude”. Mudemos o canal, mudemos o mundo, mudemos o jeito de pensar. Não é nos destruindo ou eliminando o objeto que nos é incomodo que vamos melhorar. E afinal, é para isso que estamos aqui. Para melhorar. Não vale morrer pior do que quando nascemos.

Como dizia Guimarães Rosa, ” a gente morre pra provar que viveu”. É bem por aí.


Dois novos blogs prometem:

O blog da Michelle, uma jornalista que vai dar o que falar: Forno de Palavras .

E o blog da Aline, ou melhor, o Blog da Nini, agora, uma jornalista de casa nova.

Estou aqui na torcida, ansiosa para saber o que está por vir.

Bem vindas à blogosfera!

Viver é agüentar o tranco de todos os problemas que surgem sem parar entre o dia que alguém trouxe você à luz até o dia em que a luz definitivamente se apagar. Enquanto isso, a gente vai produzindo e aproveitando os bons momentos para recarregar as baterias da paciência, para suportar os chatos. Isso mesmo, os chatos.

Chato, sabe aquele que não produz mas está sempre pronto para criticar quem fez? Ou aquele professor que ao invés de ensinar usa seu tempo para dizer que os alunos são burros? Ou aquela pessoa que tira o seu prazer em comer uma batata-frita por causa do colesterol ou uma bomba de chocolate por causa do açúcar que vai te deixar com diabetes, sem falar daquela história de que tudo engorda? Ou aquele ainda que é vegetariano e insiste em comer todo dia numa churrascaria só pra ofender todo mundo que freqüenta? - Nada contra os vegetarianos! -  E ainda, aquele ateu que vai à igreja só para dizer que Deus não existe? Chatos! Esses são só alguns dos chatos…

Não sei, mas ultimamente tenho reparado muitos nesses parasitas caminhando por aí, reclamando de tudo… principalmente no metrô, brigando por causa do embarque preferencial.  Todo santo dia tem alguém reclamando das duas portas exclusivas para isso. Gente! Praticamente todo mundo vai chegar à terceira idade; praticamente toda mulher será uma gestante; todo mundo está sujeito a ter um filho com deficiência ou se tornar um. Respeito! É a base para convivermos sem chatices!

Chato é, enfim, o vírus anônimo da bactéria instalado no intestino do inseto vetor que transmite a doença que mata quem está tentando viver e ser feliz. 

Primeiro, gostaria de me desculpar pela ausência no Malagueta nessas últimas semanas. Está difícil conciliar assessoria, redação, inglês e faculdade. Mas eu continuo aqui, firme e forte, apesar de não estar nos meus melhores dias! 

Ultimamente tenho notado muitas mudanças ao meu redor. Estive conversando sobre o filme “Efeito Borboleta” e, realmente, parece que tudo tem acontecido repentinamente. Quando digo tudo, refiro-me às minhas coisas, às suas, às do mundo, tudo! Num piscar de olhos parece que tudo muda. Dentro e fora da gente também. Os tempos estão mudando. O mundo fica complicado. Tudo que se quer são respostas, explicações. Mas são mil perguntas sem resposta. Quero ir à luta. Já estou nela. Quero essas respostas! E cada dia, por cada dificuldade que tenho enfrentado, tenho mais vontade de ter essas respostas.

É hora de ressignificar, aproveitar que ainda estamos no começo do ano. Sempre é bom. Há necessidade de um tempo. Só que parece que ninguém no planeta consegue entender. E isso pode durar alguns instantes ou uma eternidade. Porém, é um alívio descobrir que não somos únicos a ter essas sensações… 

Ps.: acabei de ler o que escrevi. Acho que ficou um caos, meio confuso. É o cansaço que me deixou com dificuldade para me expressar… às vezes, acho que tenho falado grego… mas não é motivo para não publicar…

Hoje é uma das segundas-feiras mais legítimas do ano: a primeira depois de todo o rescaldo do Carnaval. Agora não tem mais folia tardia, nem desfile das campeãs, nem trio elétrico, nada.

Acabou mesmo!

O ano letivo, efetivo, real de 2008 começou! E junto, a nossa correria de sempre, outra vez!

Até as aulas da faculdade começam hoje também.

Feliz ano novo, de fato!

Não é todo dia que você acorda animado, feliz e de bom-humor, com o estoque de piadas e observações irônicas bem carregado e aquela vontade de levantar e sair vivendo. Porém, tenho visto muitas pessoas numa péssima onda emocional, desanimadas com o trabalho e com a vida em si. Essa situação tem sido tão constante que até me rendeu um post (não que eu seja uma especialista em auto-ajuda, não curto muito o gênero. É mais para dar uma estimulada para quem está precisando mesmo, sabe aquela palavra daquele ombro amigo? É bem por aí).

Graças, eu estou numa onda emocional muito boa (apesar de um contratempo sentimental no sábado de carnaval – já resolvido), pena que algumas pessoas ao meu redor não podem dizer o mesmo, por estarem sem rumo, estarem em um job ruim, por não terem job algum, por crises familiares, sentimentais e afins. Aliás, na sessão Apimentados do Malagueta, tem o blog da Silvia chamado “Consulta Sentimental”, ótimo para tais questões.

O meu recado é o mesmo que dei para uma amiguinha a quem quero muito bem: o desânimo, a tristeza e a falta de empolgação pode fazer com que não se enxergue oportunidades boas, momentos bons que podem dar um novo rumo, um novo sentido para essa jornada da vida.

Portanto, (isso vai soar meio “O Segredo”. Tá…ok…tudo bem), agradecer pelas coisinhas boas que nos acontece, pensar no presente e ter paciência para esperar chegar o que está reservado é uma boa alternativa para enxergar melhor as situações, analisá-las e tomar decisões. Comigo, essa onda emocional positiva demorou para chegar e parecia que nada de estimulante acontecia para levantar o meu astral. É só não desistir. O mundo gira, te leva à novas pessoas, te oferece novas oportunidades, na medida em que tudo acontece.

Avante amigos!

Depois de um sábado dificílimo, com fortes dores devido à minha musculação cardíaca (sim, porque concluí que sofrimento amoroso treina o coração. Pelo menos, quando acontecer uma coisa pior mesmo, meu coração vai estar preparado), queria escrever um post mais interessante, mas pela primeira vez nesse espaço, precisava vomitar meu incômodo.

Porém, como tento ver o lado bom, finalmente me conformei que sofrer não é assim tão ruim. Sofrer está na moda… muita gente famosa está sofrendo também…que seja.

Mas que está na moda, está. Então eu fico até contentinha de, ao menos uma vez na vida, estar na moda. E pra encerrar, a mais pop de todas que está deprê: a Sra. Malagueta. Pois é… quem conhece a Sra. Malagueta sabe que ela vive de vez em nunca dramas intensos. Ok, Eu supero. E cá estou eu, chorando as minhas pitangas. Por motivos sérios para mim, mas não o fim.

Mas tudo bem, não dá nada. Eu me contento em ser a ‘base’, a pessoa com quem se pode sempre dividir os problemas, conversar. E eu prometo me comportar direitinho, até eu poder lançar meu próprio disco depressivo. (Não, isso soou meio “emo”. – nada contra, nem a favor).

Só sei que vou aproveitar essa ausência, que hoje decidiu me fazer companhia, num sábado de carnaval…

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